Ainda estamos ajustando as coisas por aqui

O gato arranha o sofá, olha para você com seus olhos culpados, olha o sofá, arranha mais um pouco. Desengancha suas unhas do móvel já levemente destruído, anda com leveza pela casa. Para perto de você, que o pega no colo e se senta no chão, já que mesmo o chão frio parece ser um lugar tão bom quanto qualquer outro, quando você não sabe onde deveria estar.

Levanta e segue andando com o gato te fazendo tropeçar a todo instante.

Pela janela dá pra ouvir os vizinhos alegremente aproveitando o feriado, quem sabe animados demais, certamente cheios de cerveja na alma e no sangue. Buzinas de carros se misturam a sirenes de ambulância. Você fecha a janela e o silêncio vem. Abre a janela e o caos volta a invadir a casa. Deixa as janelas abertas.

O gato foi comer ração e você olha as notícias no celular. Você lê só as manchetes e vai passando, como quando era pequena e comia só o recheio da bolacha. O tempo se arma como se fosse chover, mas ainda assim você acha que está um dia bonito, só por que você não está triste. Funciona assim, você percebe. Quando se está triste, todo dia parece feio e melancólico demais. É tão óbvio que você nem se dá ao trabalho de olhar a previsão do tempo quando sai de casa. Já sabe como vai ser, dentro de você.

Agora parece um pouco estranho de se dizer, as coisas mudam e te deixam tonta. Teve aquele dia no trabalho em que você teve que se segurar forte na mesa, discretamente aterrorizada, achando que fosse cair. Do nada, pra nada. Depois veio a calma de quem se sabe exagerada.

Hoje foi só um dia comum, sentada no chão, falando com o gato. Faz um dia bonito lá fora e você nem precisa olhar pela janela pra saber.

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Resenha: The Smiths: A Light That Never Goes Out – A Biografia (Tony Fletcher)

THE_SMITHS_A_LIGHT_THAT_NEVER_GOES_OUT_1392927202PThe Smiths: A Light That Never Goes Out – A Biografia – Tony Fletcher
Editora Best Seller – 630 páginas

Tendo iniciado a carreira em Manchester, Inglaterra, os Smiths são sucesso de crítica e público desde meados dos anos 1980. Por suas inesquecíveis canções e melodias, até hoje eles são considerados um dos maiores grupos do rock britânico — ao lado dos Beatles e dos Rolling Stones. Apesar do fim da banda no auge de seu sucesso, The Smiths: A biografia é uma celebração: a saga de quatro garotos da classe operária de uma pequena cidade ao norte da Inglaterra que superam suas personalidades contrastantes para encontrar um vínculo musical, inspirar milhares de pessoas e deixar um legado que mudou a música — e a vida de seus fãs — para sempre.

Essa é a primeira biografia do The Smiths publicada no Brasil, um lançamento recente da Editora Record que me foi enviado como cortesia. Gosto de Smiths e acho a figura do Morrisey interessante, a leitura foi ótima para poder conhecer mais da história da banda, que é bem curiosa.

A história começou nos idos dos anos 80, com três caras mais novos que queriam montar uma banda, mas precisavam de um vocalista. O guitarrista, Johny Marr, foi bater na porta de Morrisey, um cara mais velho e talentoso que era conhecido por ali e assim começou uma amizade instantânea e uma parceria intensa. Junto com a dupla formada pelo baixista Rourke e pelo baterista Joyce, estava formado o The Smiths.

A exemplo de outras grandes bandas como Beatles e Rolling Stones, o The Smiths tinha um modelo de formação onde dois integrantes se destacam e dominam absurdamente a banda e os outros ficam apagados, muitas vezes nem sendo pagos corretamente. Foi assim que Morrissey e Marr fizeram com que a banda chegasse ao topo tão rápido: eles tinham uma química juntos que tornava os outros ao redor praticamente invisíveis. Morrissey, deliciosamente trágico como só ele pode ser, por várias vezes chegou a afirmar que Marr salvou sua vida ao bater em sua porta e convidá-lo a fazer parte do Smiths. Lendo essa biografia, fica até fácil concordar com ele.

As composições de Morrissey aliadas ao talento musical de Marr fizeram com que a banda se tornasse um sucesso meteórico, com suas canções cheias de melancolia, ironia e sarcasmo. Indo na contramão das bandas do momento, o Smiths cantava para os desajustados, para os solitários, para aqueles que se sentiam inadequados perante a sociedade. Essa postura ia além da música, com Morrissey se apresentando em rede nacional usando aparelho auditivo e óculos de grau gratuitos do sistema de saúde. Era como se ele dissesse aos seus fãs que era igual a eles e que eles, da mesma forma, podiam ser iguais a Morrissey.

O grupo durou cinco anos quase exatos e acabou da mesma forma que começou: em um gesto de Marr. O livro cobre todo esse período e ainda traz teorias do que teria acontecido se a banda continuasse, com Tony Fletcher analisando todos os panoramas possíveis. Melhor acabar no auge ou continuar até o declínio? Uma banda como Smiths seria possível de se tornar ruim algum dia? É difícil dizer.

O que sabemos é que temos aqui um retrato apaixonado e minucioso dos poucos anos que durou o Smiths. O livro é quase uma bíblia da banda, extremamente rico em detalhes e narrado de forma divertida e gostosa de ler. A edição traz ainda algumas fotos históricas e mapas da vizinhança onde os integrantes da banda moravam no inicio de suas trajetórias musicais. O livro não só conta a história do Smiths, mas contextualiza a banda em seu tempo e traz uma visão incrível do cenário musical da época, se tornando assim uma leitura obrigatória para quem gosta de música, sendo fã do Smiths ou não. Certamente um desses livros pra gente guardar no coração depois da leitura. :)

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Resenha: The Beatles: A História por Trás de Todas as Canções (Steve Turner)

THE_BEATLES_A_HISTORIA_POR_TRAS_DE_TODA_1261044992PThe Beatles: A História por Trás de Todas as Canções – Steve Turner
Editora: Cosac Naify – 384 páginas

São 208 músicas gravadas pelos artistas mais influentes do século XX. São 208 histórias explicando a mágica de cada uma delas. Em cerca de 380 páginas e mais de 100 ilustrações em cores, a edição reúne a gênese das canções mais importantes do cenário musical internacional. O que o jornalista, biógrafo e poeta inglês Steve Turner faz em The Beatles – a história por trás de todas as canções não é apenas explicar os significados ou os bastidores técnicos das composições da banda. Sua proposta é mostrar como elas nasceram e quais episódios as inspiraram: de frases do dia-a-dia até notícias de canto de uma página de jornal.

Tenho esse livro faz tempo, foi comprado em uma promoção da Cosac pelo meu marido. Eu já tinha dado uma folheada e lido sobre as músicas mais famosas, mas com meu recente interesse por Beatles, resolvi lê-lo inteiro agora.

Em uma edição luxuosa, com fotos e ficha técnica de cada canção, o livro traz a história por trás de cada uma das músicas dos Beatles, apresentadas em ordem cronológica e separadas por álbum. Só posso imaginar o trabalho hercúleo que o autor teve para reunir e organizar todas essas informações. E valeu a pena, pois o resultado ficou muito bom.

Ao organizar as canções por ordem cronológica, o autor mostra a evolução musical da banda e como os temas das canções foram mudando com o passar do tempo. No inicio, as canções era majoritariamente do tipo “garoto conhece garota”, depois sobre amor em um conceito mais amplo (o sentimento sendo o foco, no lugar de situações amorosas como antes), para depois termos canções com mensagens para o mundo e desabafos pessoais. E, claro, muitas canções em que eles apenas tentavam emular o estilo de algum outro artista e outras tantas com motivações triviais e piadinhas internas.

O livro apresenta muitas histórias curiosas. Uma das minhas favoritas é a da origem de She’s Leaving Home, do álbum Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club. Paul viu no jornal a notícia de que uma garota que tinha fugido de casa e escreveu a canção sobre isso, baseado apenas no pouco escrito ali. Anos depois, Melanie Coe, a tal garota fugitiva, soube que a canção tinha sido feita pra ela e contou o quanto se sentiu extremamente reconhecida nos versos, que falavam sobre a dificuldade na relação com os pais. Mais do que isso, ela era fã de Beatles e tinha até uma foto de antes de fugir de casa, onde aparece ao lado do palco em um show da banda. Essa foto está no livro.

Para confirmar as histórias das canções, Turner foi atrás das pessoas que as inspiraram ou ajudaram no processo de produção. Isso fez render momentos emocionantes ao livro, pois em alguns casos as pessoas nem sabiam, até o momento, que a canção era sobre elas. Exemplo disso é a canção Good Night, do álbum The Beatles (o álbum branco), que Lennon escreveu em homenagem a seu primeiro filho, Julian. Até então, Julian não sabia que a canção era sobre ele e se emocionou ao saber. A música foi escrita quando seus pais estavam em processo de separação e John notoriamente não dava muita atenção ao filho. Em Good Night, Lennon traz uma canção de ninar para acalentá-lo naquele momento difícil.

O livro é denso de informações e histórias, mas de leitura fácil e empolgante. Vale muito a leitura para quem é fã da banda e mesmo quem não é tão entusiasta, pode se deixar encantar pelo processo criativo dos Beatles e por suas histórias que viraram canções. E canções que viraram história.

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#ProjetoVentosUivantes – O Morro dos Ventos Uivantes (1970)

Desde a minha leitura do livro O Morro dos Ventos Uivantes (resenhei aqui) tenho o firme propósito de assistir todas as adaptações para o cinema ou TV dessa obra de Emily Brontë. Não sei quando foi que me tornei essa romântica incorrigível que gosta de histórias dramáticas e passionais, deve ter sido em algum ponto entre a leitura de As Brumas de Avalon na adolescência e a descoberta da música pop mais pro inicio da idade adulta.

Enfim. O fato é que não é tão simples achar essas adaptações todas, pois além de algumas serem bem antigas ou de difícil acesso, sou meio contra baixar filmes (tenho preguiça e inaptidão), então vou meio que deixando as coisas acontecerem e os filmes caírem no meu colo por acaso. Quase como tudo na vida. As obras que incluem esse meu #ProjetoVentosUivantes, e vamos chamá-lo assim, são essas que encontrei na Wikipedia e listei aqui. Pra ficar mais fácil, marcarei nessa página linkada todos as adaptações que assistir e resenhar no blog.

Apresentação feita, vamos ao filme que assisti ontem. Se trata da versão de 1970, dirigida por Robert Fuest e estrelada por Timothy Dalton e Anna Calder-Marshall. Foi a primeira adaptação em cores para a obra e eu achei para assistir na NetFlix.

Em uma tentativa de simplificar a história, essa versão foca no casal Heathcliff e Catherine e exclui a lide da governanta narrando a história ao novo morador da casa da Granja da Cruz dos Tordos. Com isso, temos a história começando por um final alternativo (que aconteceu, mas não é o final definitivo do livro) e voltando ao início, sem narradores.

Se insinua que Heathcliff pode ser um meio-irmão ilegítimo de Catherine nesse filme, o que nem é uma insinuação tão descabida assim. Timothy Dalton está involuntariamente cômico como Heathcliff, com uma maquiagem mega pesada e um corte de cabelo esquisitíssimo. Anna Calder-Marshall também parece velha demais para o personagem (lembrando que ela interpreta a Catherine a partir dos 13 anos e já tem linhas de expressão no rosto). Esses detalhes não prejudicam a história, mas deixam tudo um pouco engraçado. Parece Chaves, onde os atores são velhos e interpretam crianças. Coisas do cinema true dos anos 70.

O personagem de Edgar Linton passa quase desapercebido no filme, assim com sua irmã Isabelle. Do mesmo modo, as maldades de Heathcliff são pouco mostradas, o personagem apenas se mostra como alguém endurecido pela vida, sem que possamos ver tanto as dificuldades pelas quais ele passou que o tornaram assim tão malvado quanto todas as maldades que cometeu por conta delas.

O filme tem o mérito de trazer varias falas esclarecedoras de Catherine, que nos ajudam a entender suas motivações, mais até do que no livro. Embora curta, com duração de menos de duas horas, essa adaptação atende bem ao proposto e não “trai” o livro, apenas o resume ao que importa: a história de amor de Heathcliff e Catherine. Para o que se propõe, achei que ficou bem legal. É um filme gostoso de ver e que certamente agradará os fãs da história criada por Brontë.

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O que vai ser, eu não sei

I will understand someday, one day
You will understand always, always
From now until then
When it will be right, I don’t know
What it will be like, I don’t know
We live in hope of deliverance
From the darkness that surrounds us
[Hope Of Deliverance - Paul McCartney]

Mas, eu entendo que é difícil voltar. Eu que nem desisti, já penso nisso. Eu nem desisto, só de pensar em como seria voltar, olha que louco. Em como seria o caminho contrário no momento em que eu desistisse de estar longe. Por que é lógico que isso vai acontecer, como já disse tantas vezes. É lógico que vai acontecer de você um dia desistir e passar o resto da vida querendo voltar. E depois você vai ficar nessa de não saber se é possível retornar do começo. E fica aquele nó. Por que tem esse detalhezinho de bosta na vida: você não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo.

Fico pensando que essa coisa de desistir e tentar cabe em tantos aspectos da vida que é um milagre a gente não se deixar consumir por isso o dia todo. Quer dizer, só um pouquinho. Só quando a gente para pra pensar. Mas, a gente vai deixando, vai deixando pra decidir amanhã ou depois e no fim a vida vai se tornando aquilo que a gente teve tempo de fazer e pensar sobre.

Mas, sobre essa dúvida que está te consumindo. Sim, voltar dá um trabalho do caralho. Uma semana fora e você já está em outro universo. Imagina mais que isso. Falo por que eu sei e eu nem fui tão longe quanto você foi. Eu teria mais motivos pra desistir, se você for ver, então entendo como a sua decisão foi enorme. Você tinha mais motivos pra ficar. E foi embora. Olha a coragem que você teve. Essa coragem ainda deve estar aí pra te fazer voltar.

Não te garanto que as coisas estão mais simples. Tá o mesmo caos de sempre. Mas, é o caos que a gente ama. É o caos, aposto, que você sente saudades. Não tem como garantir que vai dar tudo certo, mas pelo menos a gente sabe que depois melhora. Garantiram que melhora! Elas não podem estar mentindo. A gente faz o que pode e ama o que faz, sempre foi assim. Isso não muda e não mudou.

E também, veja o lado bom, a vida não é esse drama tão gigante assim para nós. Não para nós, que passamos por todas as tretas rindo dos outros e de nós mesmos. Somos fortes, jovens até, temos um time de pessoas que torcem por nós. Que nos amam, que nos querem por perto. Então, você nem deveria estar esquentando tanto a cabeça, sabe? Deveria entrar de cabeça nessa loucura de novo, isso sim. Não foi você que inventou essa coisa toda, que ajudou a fazer ela acontecer? Você deveria voltar, eu acho. Deveria sim.

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#DldoTigre – Fechamento de Março “Filme ou Livro?”

Oi gente!

Deixei o fechamento do mês pra mais tarde pra dar tempo de todo mundo mandar suas resenhas. Curiosamente, tivemos o mesmo número de resenhas enviadas por autolink: 36! Além dessas, tivemos outras mandadas depois do prazo via inbox na fanpage do Desafio.

Esse foi um tema que rendeu resenhas muito legais. É sempre interessante conhecer uma história por vários pontos de vista e notei que várias pessoas aproveitaram a leitura para rever o filme relacionado ao livro lido. Eu mesmo fiz isso e me ajudou muito na hora de resenhar. No fim, de um modo geral deu pra notar que não é preciso dar um veredito sobre o que é melhor entre filme e livro: ambos tem suas vantagens.

Agora, como de praxe, trechos de algumas das resenhas recebidas. Obrigada a todos que seguem firmes e fortes no Desafio e pra quem quer começar agora, saiba que ainda dá tempo, sim! Todos são bem-vindos! :)

Gostei bastante do livro, é gostoso de ler e as histórias são bem divertidas. Achei interessante as diferentes tomadas com a conversa entre o filho e o pai no leito de morte, como se o filho precisasse reconstruir essa cena, modificando-a como uma história.
- Resenha de Lígia Barros para Peixe Grande – Uma fábula do amor entre pai e filho, de Daniel Wallace.

Volto pra cá pra falar do último livro que eu li, pro Desafio Literário do Tigre, esse mês o tema era Filme ou Livro?. E aí, eu fiz o caminho contrário, escolhi um livro que foi escrito a partir do filme. Tipo, a partir mesmo, algumas falas dos personagens são exatamente iguais às do filme. Os Goonies, lá dos anos 80 foi criado pelo Steven Spielberg, roteirizado pelo Cris Columbus, e dirigido pelo Richard Donner, sempre com Spielby na cola, pra garantir que tudo saísse como ele tinha pensado.
- Resenha de Elisa Mafra para Os Goonies, de James Kahn.

Depois de ler o livro, revi o filme e acho que foi um projeto audacioso pra uma estreia como diretora, levando em consideração todas as particularidades do material original. Na minha opinião, a história perde um pouco do sentido quando a gente tem acesso ao interior da casa e consegue ver as meninas de perto. Ainda que essas sejam reconstituições de coisas ouvidas ou presenciadas por outras pessoas, isso não consegue ficar muito claro e talvez leve a gente a se perguntar por que então não podemos ter acesso a outras respostas (não que eu soubesse de que outra forma contar essa história em um filme, se vê por esta resenha capenga, mas é algo que fica comprometido, de qualquer forma).
- Resenha de Letícia Borges para As Virgens Suicidas, de Jeffrey Eugenides.

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Foto: Bruna, do blog Rotten Apple

O que me chamou a atenção foi o estilo da narrativa, os eventos são contados a partir do ponto de vista do personagem que executa a ação, com seus pensamentos expostos enfatizando como a experiência de vida de uma pessoa influência seu modo de ver as coisas, e tudo de forma muito divertida. Entrou instantaneamente para a minha lista de livros favoritos, não vi o filme, mas não imagino como a densidade dos personagens poderia ser transmitida nele, com certeza não é um trabalho fácil.
- Resenha de Bruna para Perfume, de Patrick Süskind.

Agora comparando com o filme, tenho que dizer que sempre tenho em mente que não tem como os dois serem iguais, já que são formatos diferentes. Mas nesse caso, como vi o filme antes, acho que acabei me emocionando mais com o filme. Creio que o final tenha sido mais romântico, no sentido mais tradicional da palavra. Não que ue não tenho gostado do livro, pelo contrário, gostei de aspectos diferentes e consegui interpretar outras coisas daqueles de quando vi o filme.
- Resenha de Giselle Magno para Não me abandone jamais, de Kazuo Ishiguro.

No livro podemos ler uma boa parte da infância da Jane e da única amiguinha dela na escola, podemos ver como o lugar é repugnante e nojento mas também a amizade delas. Para mim ela tem uma personalidade mais forte e mais dura que no filme. Ver como ela sofre, como ela pensa em detalhes e muito interessante. Uma boa parte do livro eu achei bem parecida e até alguns diálogos idênticos ao filme isso eu assumo que me surpreendeu um pouco. Claro que tem muitos detalhes a mais como sempre isso é indiscutível. Tem uns detalhes diferentes o filme é mais romantizado que o livro, alguns personagens são um pouco diferentes, não os principais, algumas coisas acontecem de forma diferente mas a maioria é bem parecida. O final é um pouco diferente, acontece um pouco mais de coisa e um pouco mais cruel e mais legal ao mesmo tempo, não tem como explicar sem dar spoilers.
- Resenha de Raquel para Jane Eyre, de Charlotte Brontë.

Outra coisa legal no Desafio desse mês é que várias pessoas leram o mesmo livro, isso não aconteceu nos meses anteriores. Em breve, vou postar aqui alguns números sobre as resenhas e os livros mais lidos, fiquem de olho. E a leitura de abril, já está feita? :)

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Pelo caminho

Almoço sozinha. Na mesa ao lado, um homem almoça sozinho também. Levo um susto: é o meu pai! Olho melhor, pois não teria como ser meu pai. Meu pai nesse momento deve estar almoçando, sim, mas em outra cidade e estado. Olho com atenção: não é meu pai.

E não é a primeira  vez que o vejo onde ele não está.

Também vejo minha mãe em senhorinhas educadas e risonhas na lotação, a vejo na minha sogra que segura minhas mãos com possessividade e carinho quando me encontra.

Vejo meu irmão nas ruas descoladas e bares incríveis por onde ando. Vejo meu sobrinho nas fotos de crianças pequenas que meus amigos postam no instagram.

Todos se parecem um pouco com as pessoas por quem sinto saudade, mas não são. Não são.

Subia a avenida desatenta e uma senhora me para. Encostando no meu braço com leveza, ela diz “Meu bem, sua mochila está aberta“. “Sempre fica”, eu rio. Fecho a mochila e a senhora foi embora. A sensação pungente de que ela provavelmente é a mãe de alguém fica. E isso me dói e me alegra na mesma medida.

Todas as tentativas de chamar atenção, todas as mensagens que não recebem respostas, as mensagens mandadas a esmo, tão vagas e tímidas que nem podem ser consideradas indiretas (não tem a mesma força, embora tenham a mesma vontade). Toda a carência que se renova a cada dia, mesmo você estando feliz.

Toda a saudade que aperta com doçura o coração a cada alegria e tira o ar a cada tristeza. Todo encontro falso que antecipa o verdadeiro. Fechar os olhos por alguns segundos, abri-los. Respirar fundo. Pagar a conta do restaurante e ir embora sem olhar pra trás.

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Resenha: O pequeno livro dos Beatles (Herve Bourhis)

O_PEQUENO_LIVRO_DOS_BEATLES_1295626192PO pequeno livro dos Beatles – Herve Bourhis
Editora Conrad – 168 páginas

Nesta HQ é retratada a trajetória do grupo inglês desde antes de sua formação, passando pelos anos da Beatlemania, pela separação do grupo até se focar apenas na carreira solo de seus integrantes.

Deliciosa biografia dos Beatles em forma de quadrinhos, li esse livro em menos de três dias e já estou com saudade. Do mesmo autor, tenho O Pequeno Livro do Rock, que ainda não li inteiro, mas agora me animei a ler até o final. Quem me emprestou esse livro foi a Jules, pois ela sabe que agora tenho lido bastante sobre os Beatles. Estou obcecada por eles desde a leitura de Love Me Do.

O Pequeno Livro dos Beatles é uma fofura. O traço de Bourhis é muito bonitinho e ele escreve com muito humor e leveza. O livro traça a trajetória dos Beatles desde seus primeiros singles até a carreira solo dos integrantes da banda até 2010. Tem bastante coisa recente, então. Além disso, o autor não se limita a apenas narrar os fatos de maneira cronológica, ele traz coisas de fora, compara as músicas dos Beatles com outras similares que vieram antes e depois, contextualiza a banda na história mundial e dá sua opinião pessoal sobre o trabalho da banda. É bem, bem bacana.

O grande destaque do livro são as resenhas de cada um dos singles e álbuns lançados não só pelos Beatles em si, mas também por seus integrantes em seus projetos solos. Apesar (ou por conta) de ser um grande fã, ele não poupa críticas quando acha que os fab four não mandaram bem em algum trabalho. Bourhis é imparcial como só um fã assumido pode ser: defende e rechaça os álbuns e singles dos Beatles com a mesma paixão.

Além de trazer curiosidades sobre a banda, o autor também fala de si ao narrar alguns momentos em que teve a oportunidade de ver Paul McCartney (seu beatle favorito) pessoalmente. Essas passagens são adoráveis e por si só fazem valer a pena a leitura do livro.

O Pequeno Livro dos Beatles mais do que contar uma história, presta uma homenagem à banda e a memória do autor, como um tributo à importância que a banda tem em sua vida. Capaz de te deixar bem sentimental ao final da leitura, como eu fiquei. Sentimental, mas feliz e otimista. Feito o Paul, o nosso beatle favorito.

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Meme: 5 personagens que marcaram minha vida

Quem nunca sonhou em ser um personagem? Essa é sua chance de contar para todo mundo quem você gostaria de ter sido e o porque. Vale quadrinhos, filmes, novelas, uma figura história… deixe sua imaginação fluir!

Ok, esse segundo tema de abril do RotaRoots foi um pouco mais complicado. Por que eu tenho vários personagens que marcaram a minha vida, mas, verdade seja dita, eu não gostaria de ser nenhum dele. Posso estar sendo muito literal, mas eu não curto essas coisas de “queria ser assim ou assado”. Eu gosto do jeito que eu sou, mesmo com os meus defeitos. E não trocaria a minha vida pela de ninguém, por mais perfeita que a vida dos outros possa parecer.

Sendo assim, fiz uma listinha de personagens que eu gosto acima da média e que, de alguma forma, me marcaram e me acrescentaram algo. Acho que pode ser assim, né? Então… Vamos lá?

Holden Caufield (do livro O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Sallinger):  Esse livro foi o que mais me marcou na adolescência e mesmo hoje, ainda me reconheço em Holden Caufield, o personagem principal. Porém, como aqui os dramas maiores da juventude já passaram, o que fica mesmo é o carinho por esse personagem que me ajudou a ver que é normal estar triste sem motivo quando se tem 16 anos.

Dorian Gray (do livro O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde): Também uma leitura que me marcou muito, coloquei na imagem a foto do moço que interpretou Dorian no cinema só pra ilustrar mesmo, já que aqui me refiro ao livro. Quando li a história de Dorian Gray fiquei maluca da cabeça. Como pode um livro “antigo” ser foda assim? Estava acostumada a só ler livros chatos no colégio. Foi um divisor de águas e passei adorar tudo que tivesse a ver com Dorian Gray e Oscar Wild.

Betty Rizzo (do filme Grease – Nos Tempos da Brilhantina): Grease é o meu filme favorito e Betty é a minha personagem favorita dele. Mesmo não sendo a principal da trama, gosto da importância dela como mulher, sendo a chefona do bando e saindo com quantos caras quer, sem medo do que os outros pensam. E, claro, se apaixonando de verdade no final. ♥

Sirius Black (da saga Harry Potter): Já amava o personagem nos livros e ao descobrir que na telona ele foi interpretado por Gary Oldman, garantiu meu amor eterno. Almofadinhas é divertido, corajoso, ajuda o Harry Potter em tudo o que pode (e como esse moleque dá trabalho!), já passou por altos perrengues e é maravilhoso. Apenas. Eu adoro a história de vida desse personagem e o acho muito inspirador.

Stefon (do programa Saturday Night Live): Estou falando muito sério aqui. Eu amo Stefon. Eu choro de rir com ele e acho que o que mais amo no personagem é que ele faz a gente se sentir meio criança, rindo na hora que não pode. Eu não consigo parar de rir. Quero ir a todos as boates que ele indica em NY. Todas.

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Esquerda pra direita: Holden, Dorian, Betty.
Segunda linha: Sirius e Stefon.

Este post faz parte da blogagem coletiva do Rotaroots, um grupo de blogueiros saudosistas que resgata a velha e verdadeira paixão por manter seus diários virtuais. Quer participar? Então faça parte do nosso grupo no Facebook e inscreva-se no Rotation.

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Se você puder acordar mais tarde amanhã

Se todo mundo aqui é tão ocupado, então vamos deixar tudo pra lá, os compromissos, as convenções, as tarefas e os eventos? Vamos jogar tudo pro alto dizendo que não dá, sem se desculpar com ninguém, fingir que não existe nada além da nossa falta de tempo? Vamos? Essa é a nossa única opção?

Essa é a única opção que não temos, então por favor parem de me falar que estão muito ocupados. Ocupada eu também estou. Igual a todo mundo. Então, de que adianta ficar reclamando? Vamos em frente e ponto final.

Ponto final mesmo?

Eu dei o braço a torcer por esses dias. Decidi roer algumas cordas e ficar sem fazer nada – que é quando a gente faz exatamente o que quer. Eu estive fora da minha rotina por uma semana e foi bom. Não fiz nada demais, não viajei nem peguei férias. Só fiquei quieta. Li cinco livros de uma vez, assisti algumas séries, acordei mais tarde. Dormi mais cedo, fiquei na cama fazendo festinha pros meus gatos. Desliguei a luz e fiquei no sofá pacientemente esperando meu amor chegar.

Foi tão bom. Mas, acabou. Precisou acabar, por que a vida não é ficar de boa no sofá, infelizmente. Ou, felizmente. Existe um monte de coisas pra fazer do lado de fora da porta de casa e todos essas coisas nos esperam, aflitas, inadiáveis, nos mordendo os calcanhares de tanta pressa.

Tudo bem. A pausa acabou, voltamos à vida normal. Mas, ainda podemos fugir um pouquinho todo dia dessa loucura toda. Se você puder acordar mais tarde amanhã.

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In Bed by Toulouse-Lautrec

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